Esse vínculo, liame físico entre sujeitos pulsa de saliva viscosa sopro quente:
Insuportável
Meu dever, meu direito real, civil, personalíssimo
Minha autonomia privada agarrada pelos cabelos, rasgada brutalmente num ímpeto insaciável resultante de culpa, de toda culpa, arcando com cada perda e dano, e mesmo assim, em cada centímetro violado dentre as palavras desconexas abafadas nos lençóis, eu assisto seu desejo dançando entre os meus seios, rodeando minha cintura, cravando com todos os dentes seu direito de posse, com a mesma seriedade de quem acorda condicionalmente na prestação de coisa incerta, negócio viciado por lesão e erro de fato.
Sua incapacidade detestável
Um fazer fungível, uma tola reprodução estético-visual
Volta e revolta mecanicista entrelaçando minha dissimulação,
mais pura manifestação volitiva de solidariedade.
Eu
Devedora
Eu,
embebida em boa-fé objetiva
Suspiro dolosamente em seus ouvidos maliciosos
Um engano
Dois enganos
Três enganos ao portador
Extinção pela divisibilidade do objeto
É o fim deslizando entre as pernas.
Minhas mentiras, amor, são carinhos, afagos, são beijos quase maternais.
Dorme agora meu amor
Dorme o sono dos que sonham
E deixa o mundo aqui fora para as que permanecem acordadas.
