São nesses olhos inquietos
em cada sarda do seu rosto,
em cada respiração entediada,
que jaz toda uma tristeza humana
Quão solitários são seus pensamentos
Quão reclusa é a sua alma
Quanto silêncio isola o mundo dos seus gritos
abafados pelo escândalo dos ponteiros implacáveis
E nessa alvura impenetrável
Acorrentada pelo linho, pelo fabrico contínuo, pela produção mecanicista desenfreada e desumana
Estão impressas tantas feridas quantos são os desejos sufocados na história dessa mesma humanidade
Diga-me
Quem amarrou seus cabelos?
Quem podou suas unhas?
Quem selou seus lábios com tão pouca saliva?
