segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Brilho Eterno

Apagar cada lembrança impregnada
Jogar fora essas memórias empoeiradas
Esquecer os amores, para vivê-los de novo, como se fossem o primeiro
Para sofrer mais uma vez em completo alumbramento
Virando o absurdo pelo avesso
Trocar de alma

Ir embora
e deixar apenas escombros irreconhecíveis
do que algum dia foi morada

E nenhum rastro

Destilar todo o sangue que corre nas veias
Abolindo os vínculos convencionais
enferrujados pela inércia do tempo

Trocar de alma:
15 soníferos após as 18:20
E dissipar cada sonho mimético
Cortar o fio de Ariadne, jogá-lo fora
2 garrafas de um carmenère 2007
E embaralhar toda a lógica
Vomitando cada vício de pensamento
juntamente com o almoço de dois dias atrás
Um basta nessas contradições!
Adotar outras contradições... dialética individualista dos insones
Entorpecer os nervos até interromper de vez as sinapses
Engessá-las

Trocar de alma
E tomar as ruas em desvario, sem pegadas
na serra, muros saltados
deixados para trás
e se lançar ao mar
Que só ele liberta, que purifica sufocando em seu sal
a cada onda voraz que derrubar os alicerces
dissolvendo-os como se feitos de areia
Ressurgir à tona como quem respira pela primeira vez
Renascer voraz
Cravando no peito as unhas profundas
e rasgar o tórax
Libertando a alma