E esse cursor que pisca e essa caneta que falha esse grafite que ecoa seco arranhando a alma branca e oca.
Escrever
Escrever
Escrever
Hoje a lira do dia foi indócil. Um garoto que sorvia nojento o papel sujo de chocolate, a música triste da aula de francês, a inveja do sucesso alheio.
Brisas inapreensíveis,
insuficientes,
que planaram para longe a minha musa.
Brisa terrestre do fim do dia,
alta pressão humana
comprime a arte,
que sem espaço,
escapole e é soprada para o mar.
Foi assim que minha musa fugidia foi parar no Rio de Janeiro. Levar um lero com o vendedor de coco, conhecer a areia e o mar que eu nunca vi.
E viu o pôr do sol do calçadão, e foi beber uma pinga na Lapa, beijar o pé daquele nêgo na roda de samba.
E pô cara, vou te contar, foi com mais uns tragos e uns tapas que no papo minha musa foi parar no baile funk. Quebrou tudo, dançou até o chão sem calcinha, e depois de uns raios aí vazou com a chefia na maió pilha. Só acordô nu dia siguinti, sem rôpa, sem sigarro e sem um puto. A cabessa explodinu na maió rê-bordose saca... mó treta meu...
...deixou o poeta aqui,
nesse trem
sem poema
sem Rio
no Sonoroso choro escondido das montanhas.
