sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quarta-feira

Eu não tenho coragem.
Eu não tenho uma paixão obsessiva compulsiva
Eu não tenho um transtorno neurótico
nem momentos catárticos

Eu não tenho o mundo nos olhos.

Eu não tenho supedâneo político ou de crítica social
Eu não tenho a dor e o sofrimento da miséria
Eu não tenho a degradação da noite ou do dia

Eu tenho só uma lágrima presa no canto do olho.
Um presente amor ideal
Um passado amor ferido e trancado em algum lugar.
Eu tenho palavras por trás do silêncio do poeta
Expressas de longe entra a tela e o teclado.

Eu tenho a preguiça
Eu tenho a covardia e o medo
O nojento apego à segurança e à estabilidade
Eu tenho o incessante grito do fracasso nos ouvidos.

Eu tenho três reais no bolso
Um violinista no bosque da música nas manhã de quarta-feira
E versos amassados por um Vade Mecum.